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Respeitem os Cabelos de Chico César

Paraibano de Catolé do Rocha, Chico César nasceu em 1964 e teve seu início na carreira musical muito depois. Apesar do seu envolvimento constante com música e poesia, o cantor concluiu a faculdade de Jornalismo e exerceu a profissão durante muito tempo. Porém, quando ele se mudou para São Paulo e uma oportunidade de fazer shows apareceu, Chico César deixou a carreira para a qual estudara e foi viver de música, em um projeto solo  acompanhado de uma banda chamada Cuscuz Clã.

Chico César puxando o cabelo

O artista se destaca por letras extremamente contemporâneas que falam dos mais diversos temas. Suas principais influências vêm da MPB e da música tradicional do nordeste, com pitadas de outras influências internacionais. Particularmente, Chico foi um artista que assimilei rápido porque o seu vocabulário não era tão diferente do meu, apesar dos regionalismos. Acredito que esse seja um grande trunfo desse poeta na nossa música.

– Deixemos de conversa e vamos aos 3 discos da vez! 

Chico César – Aos Vivos

Chico César
Ouça Aos Vivos no Spotify

Nada melhor do que começar pelo início. Aos Vivos é o primeiro disco de Chico César, lançado em 1995 durante um show em São Paulo. As músicas estão todas em voz e violão, uma roupagem excelente já que Chico César canta e toca muito bem.

O álbum abre com Béradêro, uma interpretação extremamente teatral que fala muito das origens nordestinas do cantor. Em seguida temos uma dobradinha de duas músicas bastante conhecidas do cantor, Mama África e seu swing contagiante e a bela e romântica À Primeira Vista que ficou marcada na voz de Daniela Mercury. Em seguida temos uma parte de canções que remontam um tema recorrente no repertório de Chico César, a questão étnica, principalmente dos afro-descendentes. Enquanto Tambores é uma ode às raízes da cultura afro no Brasil, Alma não Tem Cor é um chamado para a reflexão sobre o preconceito racial.

Mais destaques do disco são A Prosa Impúrpura do Caicó, revelando um lado espiritual/esotérico muito interessante em Chico César, Mulher Eu Sei, com uma reflexão sobre como os homens tendem a ver o sexo feminino, Templo, uma belíssima canção de amor , e, por fim Dança, que versa magistralmente sobre aculturação e multiculturalidade.

Para quem nunca ouviu Chico César, aqui você o terá da maneira mais orgânica possível.

Mama Mundi

Chico César
Ouça Mama Mundi no Spotify

Não é exagero nenhum afirmar que esse disco é um caldeirão de influências. Aqui Chico César misturou samba, com forró, repente, batidas eletrônicas, folclore brasileiro, mitologia grega e por aí vai. Muito diferente do tom intimista que o Aos Vivos tem, Mama Mundi, lançado em 1999, soa extremamente experimental. Uma verdadeira viagem. Os destaques iniciais vão para a divertida Dança do Papangu e a romântica Tambor; e essa última, para quem toca violão, é uma daquelas canções que você começa a tocar às três da tarde e só para às seis. Continuando, temos o forró de Nego Forro e a multiculturalidade de Mama Mundi. Para fechar o disco, temos as referências indígenas de Aquidauana, uma excelente versão para Sou RebeldeDança, dessa vez numa versão com mais instrumentação e Folclore que explora bastante o conceito homônimo em relação a cultura.

Esse pode ser um disco um pouco mais complicado para digerir por causa da variedade de ambientes das canções, mas isso é justamente o que torna ele menos entediante.

Respeitem meus Cabelos, Brancos

Chico César
Ouça Respeitem meus Cabeços, Brancos no Spotify

Respeitem meus Cabelos, Brancos é bem mais coeso em relação a Mama Mundi. Contudo, existem pitadas de experimentação aqui e ali ao longo do disco. Essa coesão faz com ele tenha sido o disco que mais ouvi e, para mim, o mais fácil de pegar do início ao fim sem pular nenhuma faixa. O álbum é aberto com a canção homônima, outra ode à cultura afro, demonstrando também a diferença que uma vírgula faz na hora de formar um vocativo. Em seguida temos Antinome, uma parceria de Chicos, César e Buarque, versando sobre religião e filosofia. Continuando temos Pétala por Pétala, uma canção que pode ser encarada tanto como uma canção de amor, quanto uma canção que expressa sentimentos religiosos.

Num segundo momento, teremos dois destaques. O xote modernizado de Flor de Mandacaru e a batida forte, ritmada e divertida de Sem Ganzá não é Coco. Para encerrar as músicas mais marcantes do disco, Templo, do Aos Vivos, interpretada novamente e a última canção Experiência, que é toda a dose de experimentalismo do disco numa música só.

Por fim é isso pessoal, ficamos por aqui e voltamos na semana que vem para analisarmos mais um grande nome da música brasileira, pétala por pétala. E, lembrem-se, se vocês quiserem ver o seu artista favorito aqui, mandem nos comentários que a gente vai ver o que faz ;).   

Este post é um oferecimento de PontoJão – um lugar para todas as artes, do pop culto ao culto popular.

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