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Professor de Literatura faz análise profunda de ‘Tua Cantiga’ de Chico Buarque

Primeiro single do novo disco de Chico Buarque, “Tua Cantiga“, motivou debates nas redes sociais nas últimas semanas. De um lado feministas defendem que a letra da canção é machista e ultrapassada, de outro lado há aqueles que entendem que é uma canção de amor simplesmente. Entre um lado e o outro, está o poeta, compositor e professor de Literatura, Guto Leite, que entende que “Tua Cantiga” é, na verdade, uma canção de morte.

“Ouvir uma canção inédita de Chico Buarque é lembrar do quanto pode ser complexa uma canção. Trata-se de objeto de arte, e aqui isso significa uma forma que recusa leituras rápidas ou imediatas. A percepção dessa diferença desperta uma desconfiança, um redobrar da atenção para as nuances da forma e a necessidade de mobilizar o que for possível de instrumental crítico para dar conta da riqueza de recursos do artista. Em outras palavras, ouvir Chico é ouvir um compositor que cria grandes canções há 50 anos, pelas quais passa boa parte da história da canção popular e do Brasil moderno.

Chico não é um aplicativo, não é um link, não é uma postagem, que se abre ao primeiro toque. Suas canções trabalham no sentido inverso da mercadoria, seja no tempo que requerem para ser consumidas, seja na relação que estabelecem com o ouvinte, decepcionando os desejos superficiais e falsos do consumidor. Em termos práticos, algo não resolvido nas canções de Chico não remete a uma insuficiência de recursos. Seu mais novo disco, Caravanas (já disponível nas plataformas digitais e nas lojas físicas) traz nove canções, sete delas inéditas, lançadas seis anos após o trabalho anterior. Deve-se presumir, por isso, que não se trata de sujeito ingênuo, e que essas canções foram escolhidas dentre dezenas. É desse lugar que parto para ouvir Chico Buarque, é desse lugar que parti para ouvir Tua Cantiga…” LEIA A CRÍTICA COMPLETA DE “TUA CANTIGA” CLICANDO AQUI.

Ouça abaixo “Tua Cantiga” de Chico Buarque:

 

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro
Que eu vou ligeiro
Te consolar

Se o teu vigia se alvoroçar
E, estrada afora, te conduzir
Basta soprar meu nome
Com teu perfume
Pra me atrair

Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar

Quando teu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos
E de joelhos
Vou te seguir

Na nossa casa
Serás rainha
Serás cruel, talvez
Vais fazer manha
Me aperrear
E eu, sempre mais feliz

Silentemente
Vou te deitar
Na cama que arrumei
Pisando em plumas
Toda manhã
Eu te despertarei

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro
Que eu vou ligeiro
Te consolar

Se o teu vigia se alvoroçar
E, estrada afora, te conduzir
Basta soprar meu nome
Com teu perfume
Pra me atrair

Entre suspiros
Pode outro nome
Dos lábios te escapar
Terei ciúme
Até de mim
No espelho, a te abraçar

Mas teu amante
Sempre serei
Mais do que hoje sou
Ou estas rimas
Não escrevi
Nem ninguém nunca amou

Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar

E quando o nosso tempo passar
Quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega
Desta cantiga
Que fiz pra ti”

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