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Chico Buarque, um artista Paratodos

A resenha de hoje é sobre três discos de um dos grandes nomes da MPB, os olhos azuis mais belos do Leblon, Chico Buarque.

Chico Buarque Música

Francisco Buarque de Holanda, carioca da gema, nascido em 1944, é um dos artistas que foram, e ainda são, extremamente influentes para o nosso cenário musical. Seja por suas músicas que passeiam pelos mais diferentes estilos e arranjos, ou pelas inconfundíveis lírica e rigorosidade poética de suas letras. De fato, é comum ouvir pessoas dizerem que preferem Chico como escritor, e não como intérprete. Apesar de ele não cantar mal, a preferência é entendível, e vale lembrar que o artista é um teatrólogo influente e também tem alguns romances publicados, papos para outra hora.

Minhas experiências musicais me fizeram ter predileção por ouvir as músicas em álbuns. Dessa forma, na maioria dos casos, temos a canção alocada em um contexto maior, fazendo com que o sentido dela se expanda. Assim sendo, nossa coluna de hoje trará três indicações do artista para adentrarmos bem na sua discografia.

Meus Caros Amigos

Chico Buarque Música

Lançado em 1976,  o disco conta com várias músicas que foram escritas para filmes ou peças de teatro, como por exemplo, Mulheres de Atenas (escrita para Lisa, Mulher Libertadora), Vai Trabalhar Vagabundo e A Noiva da Cidade, ambas feitas para seus respectivos filmes homônimos, Passaredo também escrita para A Noiva da Cidade e Basta Um Dia que foi feita para a peça Gota d’Água.

Além disso, a música O que Será? (À Flor da Terra) contou com a participação de Milton Nascimento e é uma das canções mais conhecidas desse disco. Compõem ainda o álbum as românticas Olhos nos Olhos e Você Vai me Seguir, a descontraída, mas de letra e estrutura harmônica intrincada, Corrente e por fim a canção que dá nome ao disco: Meu Caro Amigo. Esta última, em especial, chama atenção pelo tom crítico e subversivo, pois fazia várias denúncias à ditadura militar pela qual o Brasil estava passando. Vale prestar atenção à letra e comparar com alguns dados históricos.

Paratodos

Chico Buarque capa disco Paratodos

Esse, um disco “mais recente“, saiu em 1993 e podemos ver que, em grande parte, ele aborda a arte, o artista, e a visão do artista sobre o mundo. As canções que dão base para pensarmos nisso entram logo na primeira parte do disco, com a faixa homônima, que faz um panorama geral da música brasileira, e em seguida Choro Bandido e Tempo e Artista que versam sobre a lírica em si e como o amor é contido dentro dela. Nesse ponto temos uma pequena pausa, com De Volta ao Samba e seguimos com Sobre todas as Coisas, um blues pesado (instrumentação e letra) sobre os seres humanos e suas religiões.

Voltamos ao romance com Outra Noite, a divertidíssima Biscate (com Gal Costa), Romance e Futuros Amantes, talvez a música mais conhecida do álbum. Nesse ponto, voltamos ao samba, novamente, com Piano na Mangueira que tem a participação de Tom Jobim. Em seguida, mais dois momentos de crítica, com Pivete, uma denúncia para a banalização do descaso com a população marginalizada, e, por fim, a última canção em que Chico explica A Foto de Capa, tirada quando ele foi preso por uma “travessura da mocidade”. Para os mais atentos, Chico Buarque abre essa canção citando o autor irlandês James Joyce quando diz “o retrato do artista quando moço” ele está traduzindo, literalmente, o título do primeiro romance de Joyce “A Portrait of the Artist as a Young Man”. 

Chico

Chico Buarque Capa do Disco "Chico"

O último disco de estúdio com músicas novas do artista tem o próprio nome dele como título e várias canções que falam dessa fase mais recente de Chico, já que o disco saiu em 2011. Algumas pessoas mais tradicionais podem não ter gostado tanto e, até mesmo, achado as canções muito aguadas em comparação aos trabalhos anteriores, mas, críticas a parte, é simplesmente impossível dizer que Chico é ruim.

O interessante desse álbum é encará-lo como um livro de histórias que começa no Querido Diário de Chico, e vai seguindo por canções que vão remontando cenários do dia a dia de vários personagens – Chico Buarque, inclusive. O disco é muito homogêneo, mas se eu pudesse apontar destaques, diria que Sem Você n° 2, Nina e Sinhá (participação de João Bosco) são simplesmente incríveis no quesito atmosfera.

Está aí, um guia com poucas músicas para entender um pouco de Chico Buarque em fases diferentes e, quem sabe, atiçar a curiosidade de alguns.

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E por hoje é só, curtam esses discos maravilhosos, procurem mais de Chico, e não deixem de comentar o que concordam, ou não. Se quiser ver um determinado artista ou disco aqui, é só falar. 

Este post é um oferecimento de PontoJão – um lugar para todas as artes, do pop culto ao culto popular.

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