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A Música de Lenine

Pernambucano e já com mais de 30 anos depois do lançamento do seu primeiro álbum, Lenine quem vai figurar dessa vez na nossa Resenha. Ele iniciou sua carreira, assim como Djavan, trocando sua terra natal pelo Rio de Janeiro, ainda nos anos 70, e começando a trabalhar como compositor mas depois teve as suas músicas gravadas na sua própria voz.

Lenine foi levado à música pelo pai, que além do seu nome em homenagem a Lenin, deu ao filho o gosto pelo conhecimento e pelas canções, é claro, sendo, até hoje, uma figura extremamente relevante na vida do artista.

Feitas as honras, vamos aos 3 discos para ouvir a música de Lenine.

Na Pressão

Confesso que a primeira vez em que ouvi falar de Na Pressão foi lendo uma entrevista em que Mathias Jabbs, guitarrista do Scorpions, elogia o disco quando perguntado sobre seu conhecimento da música brasileira. Lançado em 1999, Na Pressão é um álbum excelente para entrar na música de Lenine, pois ali estão características marcantes da sua forma de compor. Primeiramente, Lenine tem uma levada muito característica no violão. O tipo de ritmo que você só precisa de dois acordes para saber de quem é a canção. Some-se a isso batidas sampleadas e letras que vão desde reflexões contemplativas a histórias cheias de poesia e folclore. Pronto! Aí está Na Pressão.

Destaques para a homenagem a Jackson do Pandeiro, renomado e genial artista nordestino, logo na primeira faixa, Jack Soul Brasileiro. Em seguida a canção homônima pesada e com uma vibe esotérica. A terceira música é, talvez, o maior sucesso da carreira de Lenine, Paciência. Normalmente, não gosto de músicas que fazem “sucesso demais”, mas, nesse caso, não há o que questionar. Além de uma bela melodia, a letra de Paciência é um bálsamo em que todos podem descansar.

Seguindo o disco, temos a poesia metalinguística de Meu Amanhã (Intuindo o Til), o swing contagiante de A Rede, inúmeras referências à cultura indígena com Tubi Tupy, que foi tema de Caramuru – A Invenção do Brasil, cujas músicas foram compostas pelo próprio Lenine. Por fim, na reta final do disco, eu destacaria A Medida da Paixão, cujo estilo parece ter sido revisitado em Amor é pra quem Ama do disco Chão, e Relampiando, composta em parceria com Paulinho Moska – uma crítica social ferina.

 

Chão

Bem diferente do disco comentado acima, mas mantendo as características definitivas da sua música, Lenine lançou Chão em 2011 e o que mais chama a atenção no conjunto da obra é que, da capa, até a última faixa, o álbum se propõe a ser extremamente intimista. Missão cumprida, mas não sem a ajuda do número diminuído de instrumentos, apesar da riqueza de arranjos. Além disso, os maravilhosos sons orgânicos que ouvimos ao longo do disco, passos, pássaros cantando, chaleira apitando e até uma cigarra valeram uma indicação para um prêmio na categoria Melhor Engenharia de Som.

 

O disco abre com a faixa homônima, e depois uma dupla de amor, a potente Se Não For Amor, Eu CegueAmor é pra quem Ama, que, como dito anteriormente, lembra A Medida da Paixão. Em seguida, a música mais diferente do disco, Seres Estranhos, um pouco mais pesada e com uma atmosfera mais sombria. Por fim, outros destaques são a excelente letra de Envergo mas não Quebro, o som das cigarras que lembra o fim de tarde de Malvadeza,  e a dupla de músicas que finaliza o disco, De Onde vem a Canção, com o tique-taque dos relógios sendo usados como metrônomos em tempos diferentes (!) e Isso é só o Começo.

Vale notar que o álbum começa no chão e termina no começo. Isso, dentre outras coisas, dá liga às canções e, no final das contas, parece que acabamos de ver um filme.

Carbono

O disco de estúdio mais recente de Lenine traz uma pegada mais parecida com a de Na Pressão, porém com elementos característicos de Pernambuco em maior evidência, ou seja, Frevo, Ciranda e Maracatu. O conceito do álbum vem do elemento que dá nome ao disco. Lenine, formado em Engenharia Química, se valeu do conhecimento que o Carbono é peça central da constituição de vários elementos diferentes do mundo e usou isso como uma grande alegoria em suas músicas no sentido de que, de alguma forma, tudo está conectado e dividindo algo em comum.

 

O disco abre animado com  Castanho e segue bem em O Impossível Veio pra Ficar. Em seguida, À Meia Noite dos Tambores Silenciosos é bela e mistura a orquestra com o som tradicional de Pernambuco. Essa canção foi gravada no Teatro Castro Alves, em Salvador, junto com a orquestração do grupo holandês Orkestra Rumpilezz. Outro grande momento vem a seguir com a participação da Nação Zumbi em Cupim de Ferro. Já se encaminhando para a reta final Quede Água? é a música mais engajada politicamente, falando da recente crise pela qual o país vem passando, além das consequências da degradação ambiental. Simples Assim é, como o nome diz, simples e excelente. Para encerrar, o último destaque é O Universo na Cabeça do Alfinete, uma bela valsa que fecha o álbum junto com a instrumental Undo.

E, como cantou Lenine, Isso é só o começo! Curtam esses discos maravilhosos e os ouçam e se quiserem ver um determinado artista ou disco aqui, é só falar. 

Este post é um oferecimento de PontoJão – um lugar para todas as artes, do pop culto ao culto popular.

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