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20 palavras que aprendi ouvindo as músicas de Chico Buarque

Temos em nossa música grandes intérpretes e grandes músicos, mas sobretudo, grandes letristas e compositores. Chico Buarque é, sem dúvida, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

Recentemente nós tivemos um Prêmio Nobel de Literatura sendo concedido ao cantor e compositor Bob Dylan e isso me fez refletir e chegar a conclusão de que não seria nenhum exagero se Chico Buarque também conquistasse o prêmio algum dia. Descobri que não estou sozinho nessa ao ler uma entrevista recente de um dos nomes mais populares da música portuguesa, António Zambujo, onde declarou que “estamos a falar, na minha opinião, provavelmente do maior letrista da música portuguesa cantada, da música de língua portuguesa” e prosseguiu “Quando li a notícia que o Dylan ia ganhar o Prêmio Nobel, pensei imediatamente: o próximo vai ser o Chico. Mas essas coisas não dependem de nós, é completamente indiferente o que nós achamos e a nossa opinião não vai interferir em nada na decisão das pessoas que atribuem o Nobel.

Pensando na riqueza das letras de Chico Buarque, resolvi elaborar uma lista com 20 palavras que aprendi aos 12 anos de idade quando comecei a ouvir as suas músicas sempre com um dicionário ao lado.

 

#01 Gelosia

sf
Grade feita de ripas cruzadas intervaladamente, ao modo de uma treliça pouco aberta, que ocupa o vão de uma porta ou janela, com a finalidade de evitar que o interior da casa seja devassado da rua e reduzindo a incidência do calor e do excesso de luz; rótula: “À entrada da cidade, existe uma ponte de pedra com dois arcos romanos, por onde se chega a um cenário do passado […], casas térreas com grossas paredes, telhados com beirais ornamentados, janelas de gelosia […]”

 

“A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor” – (Flor da Idade)

 

#02 Despudorada

adj sm
Que ou quem não tem pudor; desavergonhado, impudente.

 

“Despudorada, dada, a danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor” – (Flor da Idade)

 

#03 Escafandristas

sm+f
Pessoa que, revestida de escafandro, faz investigações ou trabalha no fundo do mar ou de rios.

 

“E quem sabe, então o Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos” – (Futuros Amantes)

 

#04 Pródigo

adj sm
Que ou aquele que prodigaliza; prodigalizador.
adj
Que gasta com excessivo esbanjamento; que dissipa seus bens; dissipador, esbanjador, gastador, perdulário.
2 Que produz ou brota em abundância; fecundo, fértil.
3 Que é generoso; liberal: “Orgulhoso de ter calos nas suas mãos fidalgas, despreocupado da ambição de enriquecer, não podendo resistir ao impulso filantrópico e bom, que o levava a enxugar as lágrimas com que deparava em seu caminho, era chamado pródigo pelos seus amigos” (JP).

 

“Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado” – (Construção)

 

#05 Iniquidade

sf
1 Falta de equidade.
2 Caráter ou qualidade de iníquo.
3 Ação ou dito contrário à justiça.
4 Ação má e perversa.

 

“Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir” – (Geni e o Zepelim)

#06 Homérico

adj
1 Relativo a Homero, poeta épico da Antiguidade grega, que teria vivido no século VI a.C., ou próprio dele ou de sua obra.
2 FIG Que é fora do comum ou apresenta características extraordinárias, semelhante às cenas épicas descritas por Homero: Planejou uma festa homérica para celebrar seus 50 anos.
3 FIG Que é grandioso ou exageradamente grande: Deu uma risada homérica ao ouvir a piada.

 

“Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade” – (Cálice)

 

#07 Alcovas

sf
1 Quarto de pequenas dimensões, adjacente a uma sala, destinado a servir de dormitório.
2 Em casas antigas, pequeno quarto de dormir, sem janelas ou passagem para o exterior.
3 Quarto feminino.
4 Quarto de casal.
5 FIG Lugar para se esconder ou refugiar; esconderijo, refúgio.
6 TEAT V palco interior.

 

“O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas” – (O Que Será? [À Flor da Terra])

 

#08 Mambembe

sm
1 TEAT Grupo teatral que percorre o interior dos Estados, apresentando espetáculos, geralmente de baixa qualidade.
2 TEAT Conjunto de atores ambulantes.
3 TEAT Companhia teatral medíocre.
4 Lugar afastado e desagradável.
adj
De pouquíssimo valor, imprestável, ordinário.

 

“No palco, na praça, no circo, num banco de jardim
Correndo no escuro, pichado no muro
Você vai saber de mim
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte, cantando” – (Mambembe)

 

#09 Bodoque

sm
ANT
1 Bola de barro cozido que se arremessava com besta.
2 POR EXT Besta com que se arremessava essa bola.
3 V estilingue.

 

“Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês” – (João e Maria)

 

#10 Bedel

sm
1 Funcionário que é responsável pela disciplina em escolas; censor: “O bedel sorri aprovando as palavras do diretor” (JA).
2 Funcionário subordinado que é responsável pelas funções administrativas em faculdades: “Mas o bedel havia surgido e principiava a ‘chamada’, e, a cada nome, recitado pausadamente, o seu olhar mórbido, de funcionário público no cumprimento de um velho dever enfadonho, consultava a multidão de estudantes […]” (AA2).

 

“Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz” – (João e Maria)

 

#11 Estribilho

sm
1 MÚS, POÉT V refrão.
2 Palavra ou frase que alguém repete com frequência; bordão.

 

“Quem é essa mulher

Que canta sempre esse estribilho?

Só queria embalar meu filho

Que mora na escuridão do mar” – (Angélica)

 

 

#12 Festim

sm
1 V festinha, acepção 1.
2 V festejo, acepção 2.
3 Festa apenas para a família e/ou amigos próximos; festa íntima.

 

“Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim” – (Até o Fim)

 

#13 Prenhe

adj m+f
1 Diz-se da fêmea no período de gestação; pejada, grávida.
2 FIG Que se mostra cheio, repleto; rico em; abarrotado, pleno: Prenhe de consequências.

 

“E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão
Do que dois pais voando” – (Jorge Maravilha)

 

#14 Mascate

sm
1 Vendedor ambulante de objetos manufaturados, tecidos, joias etc.; bufarinheiro.
2 POR EXT A mercadoria vendida pelo mascate.
3 HIST Alcunha depreciativa, dada antigamente aos portugueses do Recife pelos brasileiros de Olinda, de onde se originou o nome Guerra dos Mascates, iniciada em 1710, entre Olinda e Recife.

 

“Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração” – (Na Carreira)

 

#15 Candango

sm
1 Nome com que os africanos designavam os portugueses.
2 GÍR, P US Tipo desprezível, vicioso; mequetrefe.
3 Trabalhador braçal vindo de fora da região.
4 Nome com que se designam os trabalhadores comuns que colaboraram na construção de Brasília: “[…] durante a construção de Brasília, e com o fotógrafo Jáder Neves, eram candangos que tinham acesso direto e imediato ao presidente da República” (CA).

 

“Meu amor, vi chegando um trem de candango
Formando um bando
Mas que era um bando de orangotango pra te pegar” – (Não Sonho Mais)

 

#16 Lúbrico

adj
1 Relativo a lubricidade.
2 Provido de umidade.
3 Que é escorregadio ou muito liso.
4 FIG Que desperta grande sensualidade; lascivo, sensual: “O provinciano, muito desvigorizado com a moléstia, sentia perfeitamente que os lúbricos impulsos, que dantes lhe inspirava a graciosa rapariga, iam-se agora destecendo e dissipando à luz de um novo sentimento de gratidão e respeito” (AA1).
5 FIG Quase sem estabilidade.
6 Diz-se do ventre de fácil dejeção.

 

“Rato de rua, irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago, atrás do seu quinhão” – (Ode Aos Ratos)

 

#17 Magotes

sm
1 V leva, acepção 1.
2 Grande ajuntamento de coisas; amontoado, porção.

 

“Vão aos magotes
A dar com um pau
Levando o terror
Do parking ao living
Do shopping center ao léu” – (Ode Aos Ratos)

 

#18 Redondilhas

sf
METRIF
1 ANT Estrofe de quatro versos, de cinco ou sete sílabas, de rima intercalada, com o primeiro verso rimando com o último e o segundo com o terceiro (esquema abba), ou rima alternada (esquema abab).
2 Versos de cinco ou sete sílabas.

 

“Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas” – (Paratodos)

 

#19 Baixela

sf
1 Conjunto de utensílios (pratos, travessas, jarros, copos etc.), geralmente de metal nobre, necessários ao serviço de mesa: “Tinha rádio elétrico, baixela de prata, colar de pérolas, volta de ouro, vestimenta de luxo, tinha tudo […]” (JU).
2 LITURG Conjunto de objetos preciosos que são utilizados em algumas cerimônias do culto divino.

 

“Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já numa baixela
Claro que ninguém se toca com a minha aflição” – (Pelas Tabelas)

 

#20 Tremeluzir

vint Brilhar com luz trêmula; bruxulear, cintilar, lucilar, luziluzir, tremer. [Verbo normalmente unipessoal.]

 

“É São João
Vejo tremeluzir
Seu vestido através da fogueira” – (Tipo Um Baião)

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Igor Wolfe

Carioca, amante da MPB, compositor nas horas vagas e um sonhador em tempo integral.

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